Ora bem..vou vos contar uma daquelas insignificancias que me fazem gostar cada vez mais disto.. Uma senhora com alguns, muitos anos, internada para mais uma vez (9) ser submetida a uma operação à anca.
Na passagem de turno referem " doente muito ansiosa com tendência para agressividade e muito apelativa".
Lá fomos ver os doentes, preparar a medicação, posicionar e massajar..."as rotinas". Na enfermeiria onde estava essa senhora, tentámos falar com ela, percebia-se que estáva revoltada, muito no seu mundo sem querer falar, sem esboçar um sorriso..
Depois de a posicionar, sorriu pela primeira vez, desde que estávamos lá, e tentámos mais uma vez falar com ela e ela começou a dizer que não devia estar ali, porque aquele não era o lugar dela e queria estar em casa sozinha...
Percebia-se em cada palavra que a dor, não a física, era intensa e sufocante e decidiu partilhar o que sentia...Esta senhora com alguns...muitos anos..internada há duas semanas, muito ansiosa com tendência para agressividade e muito apelativa...sentia-se assim porque sentia a falta da filha...e disse daquelas frases que nao vêm nos livros mas ficam gravadas na memória: "tenho medo de morrer e não lhe dizer que gosto dela."
Estavam chateadas e a mãe, a nossa doente, não quis lhe dizer que estava doente, com medo que a filha não quisesse recuperar a relação e que assim a dor fosse maior... Contactámos a filha, depois de encontrar o número perdido no meio do processo gigante... Amanha...certamente...a nossa doente deixará de ser a "doente muito ansiosa com tendência para agressividade e muito apelativa.." mas será aquela doente de coração quente e sorriso aberto:)
É por isto, também por isto, que a enfermagem vale a pena. Mensagem do dia: Nunca é tarde...não se esqueçam:)
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